O Laboratório de cães do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP) realiza desde 2000, sob orientação do professor César Ades, pesquisas científicas sobre a comunicação entre cães e seres humanos, comportamento e cognição canina. (ler mais). Cadastre-se aqui para participar de nossas pesquisas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Stress pós-traumático em cães

Vi essa notícia por esses dias na internet e achei interessante. Faz todo sentido, claro, e mesmo em casos menos extremos do que uma situação de guerra, acho que é preciso pensar no tipo de problemas que podem afetar os cães de trabalho em consequência da sua atividade e cuidar disso. A parte legal da notícia é ver aí mais uma semelhança entre homem e cão...





Cães militares também sofrem de stress pós-traumático de guerra




























O alerta foi dado por um médico especialista em comportamento a trabalhar no Afeganistão. O seu paciente esteve debaixo de fogo e agora refugia-se debaixo da cama recusando-se a sair, mesmo quando lhe acenam com os brinquedos. 
Walter F. Burghardt Jr., chefe do departamento de medicina comportamental do Hospital Militar Canino Daniel E. Holland na Base Aérea de Lackland, nos EUA, não teve dúvidas quanto ao diagnóstico: stress pós-traumático de guerra canino. O mesmo é dizer que os cães que trabalham em teatros de guerra sofrem das mesmas doenças que os seus colegas humanos, refere o jornal americano New York Times. 
De acordo com os estudos, mais de 5% dos cerca de 650 cães das forças militares dos Estados Unidos que estiveram em cenários de combate sofrem de stress canino. Destes, cerca de metade tiveram que “reformar-se”, afirmou Walter F. Burghardt Jr. 
Embora os médicos veterinários prestem atenção às questões comportamentais dos animais há muito tempo, a questão do stress pós-traumático canino só começou a ser colocada há cerca de 18 meses. 
Veterinários militares têm estado especialmente atentos às alterações de comportamento dos cães que estiveram expostos a explosões, tiros e combates violentos no Iraque e no Afeganistão. Há semelhança do que acontece com os seres humanos, estes animais têm reacções muito diversas. 
Alguns tornam-se hiper-vigilantes, outros evitam locais onde anteriormente se sentiam confortáveis, podem ainda tornar-se agressivos, carentes ou tímidos. Muitos deixam de realizar as tarefas para as quais foram treinados. 
O tratamento da doenças é extremamente difícil, uma vez que os cães não conseguem explicar o que se passa com eles. O que implica que os tratadores e os médicos veterinários apenas possam fazer conjecturas. Contudo, o animal pode apresentar melhorias assim que é afastado das tarefas habituais e sujeito a uma rotina de exercícios físicos e treino de obediência. 
Nos casos mais graves, a técnica é outra. O animal é exposto, a uma distância segura, ao som e imagens que podem desencadear uma reacção violenta – uma explosão, um tiro, etc. Se o cão não reagir recebe uma recompensa e o objecto do trauma é colocado cada vez mais perto do doente até que ele se sinta confortável naquela situação. Estes casos mais graves podem também ter que fazer um tratamento com anti-depressivos. 
Se após três meses de tratamento, os animais continuaram a apresentar sintomas de stress pós-traumático são transferidos para outras funções ou reformados, adiantou o mesmo médico.

http://www.jn.pt/blogs/osbichos/archive/2011/12/05/c-227-es-militares-tamb-233-m-sofrem-de-stress-p-243-s-traum-225-tico-de-guerra.aspx

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